Lentes na Cirurgia de Catarata: Como Escolher

Cirurgia de catarata: quais são as opções de lente e como escolher?

Sim, existe mais de um tipo de lente intraocular usada na cirurgia de catarata, e a escolha certa depende das características do olho de cada paciente, do estilo de vida e das expectativas, não existe uma lente universalmente “melhor” que sirva da mesma forma para todo mundo. De forma resumida, as opções se dividem em lentes monofocais, o padrão mais utilizado e coberto pela maioria dos convênios, e lentes chamadas premium, como multifocais, de foco estendido e tóricas, que podem reduzir a dependência de óculos em determinadas distâncias ou corrigir astigmatismo associado, mas envolvem características próprias que precisam ser avaliadas antes da cirurgia.

Por que toda cirurgia de catarata usa uma lente intraocular

A catarata é a perda da transparência do cristalino, a lente natural do olho, que fica opaca e prejudica a passagem de luz até a retina. Na cirurgia, o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente intraocular artificial, que passa a fazer parte definitiva do olho. Ou seja, toda cirurgia de catarata já inclui, por padrão, o implante de uma lente, a diferença está apenas em qual tipo de lente é usada para substituir o cristalino removido.

Lente monofocal: a opção padrão

A lente monofocal corrige a visão para uma distância principal, geralmente ajustada para longe. É a lente mais utilizada globalmente há décadas, com histórico de segurança amplamente estabelecido, e costuma ser a opção coberta integralmente pelos convênios de saúde e pelo sistema público. Com a lente monofocal, a expectativa realista é de boa visão de longe sem óculos na maioria dos pacientes, com necessidade de óculos para atividades de perto, como leitura, e eventualmente para distâncias intermediárias, como uso de computador.

Lentes “premium”: entenda as diferenças entre os tipos

Lentes multifocais e trifocais

Essas lentes têm múltiplos pontos de foco na mesma lente, projetados para oferecer boa visão em mais de uma distância, geralmente longe e perto na multifocal, e longe, intermediária e perto na trifocal, com o objetivo de reduzir a dependência de óculos no dia a dia. Em contrapartida, esse desenho óptico mais complexo está associado, em parte dos pacientes, à percepção de halos e reflexos ao redor de luzes durante a noite, e a uma sensibilidade ao contraste um pouco menor do que a lente monofocal, efeitos que tendem a ser mais perceptíveis nos primeiros meses e que o cérebro, na maioria dos casos, aprende a filtrar com o tempo, embora a experiência varie de pessoa para pessoa.

Lentes de foco estendido (EDOF)

São uma categoria intermediária, que amplia a faixa de foco nítido, com ênfase em longe e intermediário, geralmente com menos relatos de halos e reflexos noturnos do que as multifocais, mas também com resultado de visão de perto tipicamente inferior ao das lentes multifocais. Costumam ser indicadas para perfis de paciente que valorizam mais a redução de efeitos visuais noturnos do que a independência total de óculos para leitura.

Lentes tóricas

São lentes desenvolvidas especificamente para corrigir astigmatismo pré-existente, e podem ser combinadas tanto com a plataforma monofocal quanto com plataformas premium, dependendo do caso. Para pacientes com grau relevante de astigmatismo, a lente tórica costuma ser um fator importante na qualidade visual final, independentemente da categoria de lente escolhida para as demais distâncias.

Por que não existe uma lente “melhor” de forma genérica

Este é talvez o ponto mais importante deste texto: nenhuma lente intraocular, de nenhuma categoria, garante independência total de óculos para todo paciente, e a indicação de qual tipo de lente é adequada depende de uma avaliação individual, que leva em conta a saúde geral do olho (incluindo a condição da retina e da córnea), o formato e a curvatura do olho, hobbies e rotina profissional (por exemplo, quem dirige à noite com frequência, ou quem tem profissão que exige leitura intensa), e a tolerância pessoal a possíveis efeitos visuais como halos.

Além disso, nem todo paciente é candidato ideal para lentes multifocais ou de foco estendido. Pacientes com determinadas condições da retina, córnea irregular ou glaucoma mais avançado, por exemplo, costumam ter melhor indicação de lente monofocal, já que a qualidade da imagem final depende da saúde de toda a via visual, não apenas da lente implantada. Essa avaliação de candidatura é justamente uma das funções centrais da consulta e dos exames pré-operatórios antes da cirurgia.

Estilo de vida e escolha da lente: alguns exemplos práticos

Para ilustrar como a decisão é individual, vale pensar em alguns perfis de rotina, sempre lembrando que a indicação final depende da avaliação clínica completa, não apenas do estilo de vida relatado. Uma pessoa que dirige com frequência à noite, por profissão ou hábito, tende a se beneficiar de uma conversa mais aprofundada sobre o perfil de halos e reflexos das lentes multifocais antes de optar por essa categoria, já que a sensibilidade a esse efeito pode interferir diretamente na direção noturna. Já quem tem uma rotina de trabalho ou hobby que exige leitura de perto o dia inteiro, como costura, marcenaria de precisão ou revisão de documentos, tende a valorizar mais a independência de óculos para perto, o que pode pesar a favor de uma lente multifocal ou trifocal, desde que os exames indiquem que o paciente é um bom candidato. Para quem já usa óculos multifocais há anos e está satisfeito com essa rotina, a lente monofocal, associada ao uso continuado de óculos, costuma ser uma escolha tranquila e coerente com o hábito já estabelecido, sem que isso represente perda de qualidade de resultado.

Esses exemplos servem apenas para ilustrar o tipo de pergunta que faz parte da consulta, e não como uma recomendação automática, o cruzamento entre rotina, expectativa pessoal e os achados dos exames pré-operatórios é o que efetivamente orienta a indicação final.

O que esperar da recuperação visual, conforme o tipo de lente

Independentemente da categoria de lente escolhida, existe um período inicial de adaptação após a cirurgia, durante o qual a visão ainda pode variar enquanto o olho cicatriza e o cérebro se ajusta ao novo padrão visual. Com lentes monofocais, essa adaptação tende a ser mais simples e previsível, já que existe um único ponto de foco a ser incorporado. Com lentes multifocais, trifocais e de foco estendido, o processo de neuroadaptação mencionado anteriormente costuma levar algumas semanas a poucos meses, período em que sintomas como halos noturnos tendem a ser mais perceptíveis e, na maioria dos pacientes, se tornam gradualmente menos incômodos. Relatar essas sensações ao oftalmologista durante o acompanhamento pós-operatório é importante, tanto para confirmar que a evolução está dentro do esperado quanto para orientar eventuais ajustes.

Mitos comuns sobre lentes intraoculares

“Lente premium é sempre a opção mais moderna e por isso é sempre a melhor.” Não. Premium se refere à categoria de tecnologia e ao fato de não ser coberta integralmente por convênios, não a uma hierarquia de qualidade absoluta. A lente mais adequada é a que combina com a saúde ocular e a rotina daquele paciente específico, como já explicado.

“Depois da cirurgia de catarata, catarata nunca mais volta.” A catarata em si, por definição, não retorna, já que o cristalino opaco foi removido. O que pode acontecer, em parte dos pacientes, é uma opacificação da cápsula que envolve a lente implantada, tempo depois da cirurgia, quadro tratado com um procedimento a laser separado, chamado capsulotomia, e não uma nova cirurgia de catarata.

“Se uma pessoa da família se adaptou bem à lente multifocal, eu também vou me adaptar.” Não necessariamente. A resposta à lente multifocal depende das características individuais do olho e da forma como cada cérebro processa o novo padrão visual, histórico familiar de boa adaptação não é garantia de resultado semelhante.

Custo e cobertura: o que costuma diferir entre as categorias

De forma geral no mercado brasileiro, a lente monofocal costuma ser integralmente coberta por convênios de saúde e pelo sistema público, enquanto as lentes premium (multifocais, trifocais, EDOF e, em muitos contratos, também a tórica) geralmente envolvem um custo adicional, não coberto pelo convênio, pago diretamente pelo paciente. Os valores e a cobertura específica variam conforme o plano de saúde, o fabricante da lente e a clínica, então essa é uma conversa que deve ser feita diretamente com a equipe do consultório durante o planejamento da cirurgia, sem que exista aqui uma referência de preço genérica que sirva para todos os casos.

Como é decidido: o papel dos exames pré-operatórios

A escolha da lente ideal não é feita de forma isolada na conversa da consulta, ela é orientada por uma bateria de exames pré-operatórios específicos, que medem com precisão o formato, o comprimento e a curvatura do olho, e avaliam a saúde da retina e da córnea. Esses exames são o que permite calcular o grau exato da lente a ser implantada e identificar se o paciente é um bom candidato para as diferentes categorias de lente disponíveis. Sem esses exames, qualquer recomendação de lente seria apenas uma estimativa, e não uma indicação baseada em dados do próprio olho do paciente.

Perguntas frequentes sobre lentes intraoculares

Lente premium garante que eu nunca mais vou precisar de óculos? Não. Nenhuma categoria de lente garante independência total de óculos para todos os pacientes. As lentes premium aumentam a chance de reduzir o uso de óculos em determinadas distâncias, mas o resultado final varia por paciente, e uma parcela dos pacientes ainda usa óculos ocasionalmente, principalmente para tarefas específicas ou em condições de pouca luz.

Todo paciente pode escolher qualquer tipo de lente? Não necessariamente. A indicação depende da avaliação individual do olho, incluindo a saúde da retina, da córnea e outras condições associadas. Alguns pacientes não são bons candidatos para lentes multifocais ou de foco estendido, e a lente monofocal segue sendo a opção mais indicada nesses casos.

Lente monofocal é uma opção “inferior” às lentes premium? Não. A lente monofocal tem décadas de uso, segurança bem estabelecida, e continua sendo a melhor escolha para uma parte relevante dos pacientes, seja por características do próprio olho, seja por preferência pessoal em relação ao perfil de efeitos visuais possíveis das lentes premium. A categoria mais adequada é a que atende às necessidades e ao perfil daquele paciente específico, não existe uma hierarquia absoluta entre as opções.

É possível trocar a lente depois de implantada, se eu não me adaptar? A troca da lente intraocular é um procedimento possível, mas mais complexo do que a cirurgia inicial e não isento de riscos adicionais, por isso não deve ser vista como uma segunda chance automática caso o paciente não se adapte totalmente às sensações da lente premium. É justamente por isso que a fase de avaliação e decisão antes da cirurgia é tão importante.

Os efeitos de halos e reflexos das lentes multifocais desaparecem com o tempo? Em boa parte dos pacientes, a percepção desses efeitos diminui ao longo dos primeiros meses, à medida que o cérebro se adapta ao novo padrão visual, um processo chamado neuroadaptação. Ainda assim, a intensidade e o tempo dessa adaptação variam de pessoa para pessoa, e uma pequena parcela dos pacientes mantém alguma percepção desses efeitos a longo prazo.

Se você já sabe que vai precisar de cirurgia de catarata, ou está com dúvida sobre qual tipo de lente combina com a sua rotina, chame no WhatsApp (37) 98413-3754 e agende uma avaliação com exames pré-operatórios em Formiga para conversar sobre as opções disponíveis para o seu caso.


Sobre a autora

Dra. Gabriella Faria Lopes é médica oftalmologista, CRM-MG 63282, RQE 42056. Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especialização em Oftalmologia pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Atende em consultório próprio em Formiga, MG, com atuação em cirurgia de catarata, incluindo avaliação individualizada para indicação de lente intraocular, cirurgia de retina, glaucoma, oftalmopediatria, cirurgia refrativa e demais áreas da oftalmologia clínica e cirúrgica.

Agende sua consulta: WhatsApp (37) 98413-3754 | Telefone (37) 3321-1572 Endereço: Av. Dr. Henrique Braga, 155, Centro, Formiga, MG


Referências

  • Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (BRASCRS)
  • Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
  • American Academy of Ophthalmology (AAO), Cataract in the Adult Eye Preferred Practice Pattern
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), regulamentação de dispositivos médicos implantáveis

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