RETINA – MEMBRANA EPIRRETINIANA

Membrana Epirretiniana: Quando Uma “Película” na Retina Distorce Sua Visão

Entenda o que é membrana epirretiniana, seus sintomas, causas e quando a cirurgia é necessária. Tratamento e prognóstico explicados.

Você está notando que as linhas retas parecem onduladas? Ou que sua visão central está ficando distorcida, como se estivesse olhando através de um vidro irregular? Esses podem ser sinais de membrana epirretiniana, uma condição que afeta a superfície da retina.

Embora menos conhecida que outras doenças da retina, a membrana epirretiniana é relativamente comum, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. A boa notícia é que existe tratamento cirúrgico eficaz quando necessário.

Neste artigo, vou explicar o que é membrana epirretiniana, por que ela se forma, quais sintomas causa e como é tratada.

O que é membrana epirretiniana?

A membrana epirretiniana (também chamada de pucker macular ou membrana macular) é uma fina camada de tecido cicatricial que se forma sobre a superfície da mácula (região central da retina).

Imagine uma película transparente se formando sobre a retina. À medida que essa membrana “envelhece”, ela se contrai, puxando e distorcendo a retina abaixo dela — como se você enrugasse um lençol liso.

Como se forma?

Na maioria dos casos, a formação da membrana está relacionada ao envelhecimento natural:

Processo de formação:

  1. Descolamento do vítreo: Com a idade, o vítreo (gel que preenche o olho) se descola da retina. Isso é normal.
  2. Ruptura na membrana limitante interna: Durante o descolamento, pode haver pequenas rupturas na camada mais superficial da retina.
  3. Migração celular: Células (geralmente gliais) migram para a superfície da retina através dessas rupturas.
  4. Formação da membrana: Essas células formam uma membrana de tecido cicatricial sobre a mácula.
  5. Contração: Com o tempo, a membrana se contrai, causando enrugamento e distorção da retina.

Causas e fatores de risco

Membrana epirretiniana idiopática (mais comum)

“Idiopática” significa sem causa aparente. É relacionada ao envelhecimento natural:

  • Mais comum após 50 anos
  • Ligeiramente mais frequente em mulheres
  • Pode ocorrer em olhos saudáveis
  • Relacionada ao descolamento posterior do vítreo

Membrana epirretiniana secundária

Pode ocorrer após:

  • Descolamento de retina prévio
  • Cirurgia de retina
  • Inflamação ocular (uveíte)
  • Trauma ocular
  • Retinopatia diabética
  • Oclusão vascular da retina
  • Laser de retina

Sintomas: o que você pode notar

Muitas membranas epirretinianas são assintomáticas e descobertas em exames de rotina. Quando causam sintomas:

⚠️ Distorção das imagens (metamorfopsia) – sintoma mais característico

  • Linhas retas parecem onduladas, curvas ou quebradas
  • Imagens parecem “esticadas” ou “encolhidas”
  • Rostos podem parecer distorcidos

⚠️ Visão embaçada central

  • Dificuldade para ler
  • Visão central menos nítida
  • Necessidade de mais luz para ler

⚠️ Visão dupla monocular (raro)

  • Ver imagem duplicada em um único olho

⚠️ Dificuldade para tarefas de precisão

  • Enfiar linha na agulha
  • Leitura prolongada
  • Trabalhos manuais detalhados

Características:

  • Geralmente afeta apenas um olho
  • Desenvolvimento gradual (meses a anos)
  • Sem dor
  • Visão periférica permanece normal
  • Progressão geralmente lenta

Como é diagnosticada?

Exame de fundo de olho: A membrana pode ser visível como uma película brilhante sobre a mácula, com aparência de “celofane” ou “vinco”.

Tomografia de Coerência Óptica (OCT): É o exame fundamental! Mostra:

  • Presença da membrana
  • Espessura da membrana
  • Grau de distorção da retina
  • Presença de edema
  • Tração sobre a retina

Teste de Amsler: Grade com linhas retas permite identificar e monitorar distorções.

Angiografia fluoresceínica: Raramente necessária, mas pode ajudar a diferenciar de outras condições.

Estágios da membrana epirretiniana

Estágio 0 – Celofane:

  • Membrana muito fina
  • Sem distorção da retina
  • Geralmente assintomática
  • Apenas observação

Estágio 1 – Leve:

  • Membrana visível
  • Distorção retiniana mínima
  • Sintomas mínimos ou ausentes
  • Observação ou cirurgia se sintomático

Estágio 2 – Moderada:

  • Membrana espessa
  • Distorção retiniana evidente
  • Sintomas visuais presentes
  • Cirurgia geralmente indicada

Estágio 3 – Grave:

  • Membrana muito espessa e contrátil
  • Distorção severa da retina
  • Sintomas significativos
  • Cirurgia indicada

Estágio 4 – Com buraco macular:

  • Membrana causou buraco macular associado
  • Situação mais complexa
  • Cirurgia necessária

Tratamento: quando operar?

Não existe tratamento medicamentoso para membrana epirretiniana. As opções são:

Observação

Indicada quando:

  • Membrana assintomática
  • Sintomas mínimos que não interferem na vida diária
  • Visão ainda boa
  • Membrana estável

Acompanhamento:

  • Exames periódicos (6-12 meses)
  • OCT de controle
  • Monitoramento com teste de Amsler em casa
  • Cirurgia se progredir

Cirurgia – Vitrectomia com peeling de membrana

Indicada quando:

  • Sintomas visuais significativos
  • Distorção que interfere nas atividades diárias
  • Progressão da membrana
  • Redução da visão
  • Desejo do paciente de melhorar visão

Como funciona a cirurgia?

A cirurgia é realizada através de vitrectomia:

Procedimento:

  1. Anestesia: Local (bloqueio) ou geral
  2. Vitrectomia: Remoção do vítreo através de pequenas incisões (23, 25 ou 27 gauge)
  3. Peeling da membrana epirretiniana: Remoção delicada da membrana usando pinças microscópicas
  4. Peeling da membrana limitante interna (MLI): Geralmente também removemos essa camada fina para reduzir recorrência
  5. Corantes: Podem ser usados para melhor visualização das membranas
  6. Finalização: Geralmente não precisa de gás (diferente do buraco macular)

Duração: 30-45 minutos Internação: Ambulatorial (vai para casa no mesmo dia)

Recuperação pós-operatória

Primeiros dias:

  • Visão embaçada inicialmente
  • Desconforto leve
  • Colírios anti-inflamatórios
  • Atividades leves

Primeira semana:

  • Melhora gradual da visão
  • Retorno às atividades leves
  • Evitar esforços

Primeiro mês:

  • Visão continua melhorando
  • Distorção diminuindo
  • Retorno progressivo às atividades

Meses seguintes:

  • Melhora visual continua por 3-6 meses
  • Estabilização geralmente em 6-12 meses
  • Acompanhamento com OCT

Importante: Diferente da cirurgia de buraco macular, geralmente NÃO é necessário posicionamento facial específico após cirurgia de membrana epirretiniana.

Resultados e prognóstico

Taxa de sucesso:

  • Remoção completa da membrana: >95%
  • Melhora visual: 70-80% dos casos
  • Estabilização da visão: >90%

Recuperação visual:

  • 60-70% melhoram 2 linhas ou mais
  • 20-30% melhoram 3 linhas ou mais
  • 10-20% mantêm visão estável (sem piora)
  • Raramente há piora

Distorção:

  • Maioria melhora significativamente
  • Pode persistir alguma distorção residual
  • Geralmente muito menos incômoda que antes

Fatores que influenciam resultado:

Melhor prognóstico:

  • Duração curta dos sintomas
  • Boa visão pré-operatória
  • Membrana não muito espessa
  • Ausência de outras doenças oculares
  • Cirurgia antes de dano permanente à retina

Prognóstico mais reservado:

  • Sintomas de longa duração (>2 anos)
  • Visão muito comprometida antes da cirurgia
  • Membranas muito espessas
  • Danos retinianos associados

Complicações possíveis

A cirurgia é geralmente segura, mas há riscos:

Complicações comuns:

  • Catarata acelerada (muito comum – 50-70% em 1-2 anos se paciente acima de 60)
  • Aumento temporário da pressão intraocular

Complicações raras:

  • Recorrência da membrana (5-10%)
  • Buraco macular iatrogênico (<5%)
  • Descolamento de retina (1-3%)
  • Infecção (endoftalmite) – muito rara (<0,05%)
  • Hemorragia

Recorrência: pode voltar?

Sim, mas é raro:

  • Recorrência: 5-10% dos casos
  • Geralmente menos sintomática que a original
  • Pode necessitar nova cirurgia

Risco aumentado de recorrência:

  • Membrana secundária (pós-cirúrgica, inflamatória)
  • Não remoção da MLI
  • Diabetes
  • Inflamação ocular

Quando NÃO operar

A cirurgia pode não ser indicada se:

  • Sintomas mínimos
  • Visão ainda funcional para suas necessidades
  • Outras doenças oculares que limitariam recuperação
  • Risco cirúrgico elevado por condições gerais
  • Expectativas irrealistas

Viver com membrana epirretiniana não operada

Se você escolhe não operar (ou ainda não há indicação):

Estratégias de adaptação:

  • Melhor iluminação para leitura
  • Lupas ou magnificadores
  • Óculos atualizados (quando possível)
  • Fontes maiores em dispositivos digitais
  • Paciência com adaptação
  • Monitoramento regular

Monitoramento em casa:

  • Teste de Amsler semanal
  • Atenção a piora súbita
  • Novas distorções
  • Redução visual

Diferença entre membrana epirretiniana e buraco macular

Embora relacionadas, são condições diferentes:

Aspecto Membrana Epirretiniana Buraco Macular
O que é Membrana sobre a retina Ruptura na retina
Visão Distorcida e embaçada Ponto cego central
Progressão Geralmente lenta Pode ser rápida
Cirurgia Sem posicionamento Requer posicionamento
Prognóstico Geralmente bom Variável
Urgência Eletiva Mais urgente

Perguntas frequentes

A membrana sempre progride? Não. Muitas ficam estáveis por anos. Algumas até melhoram espontaneamente (raro).

Posso ficar cego? Não. Membrana epirretiniana afeta apenas visão central. Visão periférica permanece normal.

Vou precisar de posicionamento facial após cirurgia? Geralmente não (diferente do buraco macular). Mas sempre siga orientações específicas do seu cirurgião.

Quanto tempo após a cirurgia posso ler? Geralmente em alguns dias, conforme a visão melhora. Comece gradualmente.

O outro olho vai ter também? Pode ocorrer no outro olho (5-10% ao longo dos anos), mas não é regra.

A cirurgia é dolorosa? Não. É feita com anestesia adequada. Desconforto pós-operatório é geralmente leve.

Conclusão

A membrana epirretiniana é uma condição comum relacionada ao envelhecimento que pode causar distorção visual significativa. Felizmente, existe tratamento cirúrgico eficaz que melhora a visão na maioria dos casos.

A decisão de operar deve ser individualizada, considerando o grau de sintomas, impacto na qualidade de vida e expectativas. Nem todas as membranas precisam ser operadas — muitas podem ser apenas observadas.

O mais importante é fazer acompanhamento oftalmológico regular para monitorar a evolução e tomar decisões no momento adequado.

Está com sintomas de distorção visual ou já foi diagnosticado com membrana epirretiniana? Agende uma consulta para avaliarmos seu caso e discutirmos as melhores opções para você!


Dra. Gabriella Lopes | Especialista em Retina e Catarata

📍 Clínica localizada em Formiga – Av. Dr. Henrique Braga, 155 – Centro, Formiga – MG, 35570-030

Atendimento humanizado e tecnologia de ponta.

📞  Telefone: (37) 3321-1572

📲WhatsApp: (37) 98413-3754

Sua visão não pode esperar. 

Pesquisar