O que é a DMRI?
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença que afeta a mácula, a região central da retina responsável pela visão nítida e detalhada. É ela que nos permite ler, reconhecer rostos, assistir televisão e realizar as tarefas do dia a dia com clareza.
Com o envelhecimento, as células da mácula podem se deteriorar progressivamente — e quando isso acontece, a visão central começa a ser comprometida. Por isso, a DMRI é a principal causa de cegueira legal em pessoas com mais de 50 anos nos países desenvolvidos, e vem crescendo também no Brasil.
A boa notícia: quando diagnosticada no início, é possível retardar significativamente a progressão da doença e preservar a qualidade de vida do paciente.
Tipos de DMRI: Seca e Úmida
A DMRI se apresenta em duas formas, com características e velocidades de progressão muito diferentes:
DMRI Seca (Atrófica) — a forma mais comum
Representa cerca de 80 a 90% dos casos. Ocorre de forma lenta e gradual, com o acúmulo de depósitos proteicos chamados drusas sob a retina. A visão central vai se deteriorando ao longo de anos.
- Progressão lenta
- Pode afetar um ou os dois olhos
- Não tem tratamento que reverta o dano, mas o acompanhamento e hábitos saudáveis ajudam a retardar
- Em fases avançadas, pode evoluir para a forma úmida
DMRI Úmida (Neovascular) — a forma mais grave
Embora menos frequente (10 a 20% dos casos), a DMRI úmida é responsável pela maioria das perdas severas de visão. Ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a mácula e vazam líquido ou sangue, danificando rapidamente as células visuais.
- Progressão rápida — pode causar perda visual em dias ou semanas
- Distorção visual (linhas retas aparecem tortas)
- Mancha escura no centro da visão
- Tem tratamento disponível e eficaz: as injeções intravítreas
Quem tem maior risco de desenvolver DMRI?
Conhecer os fatores de risco é essencial para a prevenção e o diagnóstico precoce. Os principais são:
- Idade acima de 50 anos — o principal fator de risco
- Histórico familiar de DMRI (fator genético importante)
- Tabagismo — dobra o risco de desenvolver a doença
- Exposição excessiva à luz solar sem proteção ocular
- Hipertensão arterial não controlada
- Obesidade e sedentarismo
- Pele clara e olhos claros (menor pigmentação protetora)
- Alimentação pobre em antioxidantes e carotenoides
Sintomas da DMRI: Como perceber que algo está errado
Um dos grandes desafios da DMRI é que, na fase inicial, ela pode ser completamente assintomática. Quando os sintomas aparecem, já existe algum grau de comprometimento da mácula. Por isso, o exame preventivo regular é fundamental.
Fique atento aos seguintes sinais:
- Visão central embaçada ou distorcida
- Linhas retas que aparecem tortas ou onduladas (metamorfopsia)
- Ponto escuro ou mancha no centro do campo visual (escotoma)
- Dificuldade para ler, mesmo com óculos na prescrição correta
- Cores que parecem menos vivas ou saturadas
- Necessidade de mais luz para realizar tarefas de perto
- Demora maior para adaptar a visão ao mudar de ambientes claros para escuros
Importante: a DMRI geralmente NÃO causa dor. A ausência de dor não significa que está tudo bem. Qualquer alteração na visão central deve ser investigada por um especialista.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da DMRI é feito por um oftalmologista especializado em retina, por meio de exames específicos. Os principais são:
- Mapeamento de retina com pupila dilatada — exame fundamental para avaliar a mácula
- OCT (Tomografia de Coerência Óptica) — imagem de alta resolução das camadas da retina, capaz de detectar alterações sutis precocemente
- Angiofluoresceinografia — identifica vasos anormais na DMRI úmida
- Retinografia — fotografias da retina para acompanhamento evolutivo
O Teste de Amsler é uma ferramenta simples que pode ser feita em casa: consiste em olhar para uma grade quadriculada com um ponto central e verificar se as linhas aparecem retas ou distorcidas. Se houver distorção, procure um especialista imediatamente.
Tratamento da DMRI
O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença:
DMRI Seca
Não existe tratamento que reverta a atrofia já instalada, mas é possível retardar a progressão com:
- Suplementação com vitaminas e antioxidantes (fórmula AREDS2) nos casos indicados
- Controle dos fatores de risco (pressão arterial, alimentação, atividade física)
- Parar de fumar — uma das medidas mais eficazes
- Proteção solar com óculos com filtro UV
- Acompanhamento regular para detectar precocemente a conversão para a forma úmida
DMRI Úmida — Injeções Intravítreas
A DMRI úmida possui tratamento eficaz com medicamentos anti-VEGF (como ranibizumabe, bevacizumabe e aflibercepte), aplicados diretamente dentro do olho por meio de injeções intravítreas.
O procedimento é realizado em ambiente cirúrgico, com anestesia local em colírio. É rápido, seguro e praticamente indolor. O objetivo é bloquear o crescimento dos vasos anormais, estabilizar a visão e, em muitos casos, recuperar parte da visão perdida.
A frequência das injeções varia conforme a resposta ao tratamento — inicialmente pode ser mensal, com espaçamento progressivo conforme a doença se estabiliza.
Perguntas Frequentes sobre DMRI
A DMRI causa cegueira total?
A DMRI afeta a visão central, mas preserva a visão periférica (lateral). Raramente leva à cegueira total, porém a perda da visão central é incapacitante para atividades como leitura, reconhecimento de rostos e condução de veículos.
Tenho histórico familiar de DMRI. Vou desenvolver também?
O histórico familiar aumenta o risco, mas não é determinante. Controlar os fatores de risco modificáveis (tabagismo, alimentação, pressão arterial) e realizar exames preventivos regulares são as melhores estratégias.
Com qual frequência devo fazer exames de retina?
Pessoas acima de 50 anos devem realizar mapeamento de retina anualmente. Quem tem fatores de risco (histórico familiar, tabagismo, hipertensão) deve iniciar o acompanhamento antes e com maior frequência, conforme orientação do especialista.
A cirurgia de catarata pode desencadear a DMRI?
Não. A cirurgia de catarata não causa DMRI. Na verdade, ao melhorar a transparência dos meios oculares, ela facilita a visualização da retina e o diagnóstico precoce de alterações maculares.
Posso continuar lendo e usando o celular?
Sim. Leitura e uso de telas não causam DMRI nem pioram a doença. No entanto, boa iluminação e pausas regulares são sempre recomendadas para conforto visual. O uso de proteção solar ao ar livre é importante.
Prevenção: O que você pode fazer hoje
Adotar hábitos saudáveis reduz significativamente o risco e retarda a progressão da DMRI:
- Pare de fumar (ou nunca comece)
- Mantenha uma alimentação rica em vegetais de folhas verdes escuras, peixes e frutas coloridas
- Use óculos de sol com proteção UV-A e UV-B
- Controle a pressão arterial e o colesterol
- Pratique atividade física regularmente
- Faça exames de retina anuais a partir dos 50 anos
- Se notar qualquer alteração na visão central, não espere — procure um especialista
Conclusão
A DMRI é uma doença silenciosa em seus estágios iniciais e devastadora quando não tratada a tempo. Com diagnóstico precoce e acompanhamento especializado, é possível preservar a visão e a qualidade de vida por muito mais tempo.
Se você tem mais de 50 anos, tem histórico familiar de DMRI ou percebeu qualquer alteração na sua visão central, não adie a consulta. A prevenção e o diagnóstico precoce são os maiores aliados da sua visão.
Notou distorção na visão central? Tem mais de 50 anos e nunca fez mapeamento de retina? Agende uma avaliação. Um simples exame pode trazer tranquilidade — ou detectar um problema tratável precocemente.
Dra. Gabriella Lopes | Especialista em Retina e Catarata
📍 Av. Dr. Henrique Braga, 155 – Centro, Formiga – MG, 35570-030
📞 (37) 3321-1572
WhatsApp: (37) 98413-3754
Sua visão não pode esperar.
